Livros Publicados


São inúmeras as contribuições dos Estudos Culturais para a Educação. Nessa coletânea o leitor encontra uma série de textos que articulam as questões relativas a educação, cultura, alteridade, identidade e poder, a partir de diferentes objetos. Entende-se aqui a Educação de forma ampla, ou seja, não apenas como as relações formalizadas que se dão predominantemente no espaço escolar, mas como as relações pedagógicas que nos constituem como sujeitos: na família, nos grupos sociais, na saúde, na mídia, entre outras. Considerando a heterogeneidade teórico-metodológica dos Estudos Culturais, cujas vertentes teóricas transitam entre o marxismo, o feminismo, a psicanálise e o pós-estruturalismo, entre outras, as temáticas aqui tratadas apontam para um lócus em comum: a insatisfação com os limites das disciplinas. Noutras palavras, essa coletânea se constitui em uma aposta nas perspectivas interdisciplinar, contradisciplinar ou até mesmo não disciplinar para pensar a educação e a alteridade.


O que torna a idéia de raça tão sedutora? Qual o papel da Ciência no desenvolvimento dessa categoria política? Os seis ensaios reunidos nessa coletânea, a partir de diversas áreas do conhecimento, procuram apresentar algumas possibilidades de respostas para essas questões e mostrar como a ciência forneceu os aportes teóricos para a legitimação de uma categoria, hoje refutada, cujas implicações políticas podem ser traduzidas nas formas do racismo e dos genocídios vivenciados no século XX. Da mesma forma, os ensaios aqui reunidos colocam em “xeque” o status da ciência desinteressada, ingenuamente ou estrategicamente amparada pela neutralidade política e científica e, partir de saberes específicos, mas não engessados, recolocam em discussão as questões prementes que permitem pensar o “devir da raça”, seu percurso histórico, seu aparato científico, epistemológico e, evidentemente, suas implicações políticas. Escritos de forma simples, mas com rigor acadêmico, convidam o leitor a pensar sobre os dilemas ainda presentes nas sociedades contemporâneas.





(EDUNISC, 2007) Neste livro, o autor articula as questões mais prementes dos debates acerca das relações raciais no Brasil com as problematizações suscitadas pela Educação intercultural. Além de situar o leitor conceitualmente frente às questões que norteiam a idéia de raça no Brasil, bem como seus desdobramentos na política de branqueamento da nação e na construção do mito da democracia racial, analisa o debate atual sobre a temática das relações entre raça e cor no pensamento brasileiro. Amparado por análises estatísticas, entrevistas com docentes e vasta pesquisa bibliográfica, demonstra o quanto a educação, sobretudo a escola, legitima os preconceitos e hierarquias sociais e étnicas no país. Apresenta ainda, um estudo de caso detalhado das relações entre identidade cultural/étnica e preconceito nos espaços educativos em Santa Cruz do Sul, cidade localizada no Sul do Brasil.




(EDUNISC, 2005) A Prisão moderna no Rio Grande do Sul, seguindo uma tendência comum aos países ocidentais, é institucionalizada a partir da segunda metade do século XIX. Entre este período e as primeiras décadas do século XX assistimos duas matrizes jurídico-filosóficas que estruturam a prisão: a primeira marcada pelo classicismo e pela política correcional e a segunda pelo positivismo e pelo bio-determinismo, este último marcante na Antropologia Criminal. A História da Prisão suscita várias preocupações histórico-sociológicas e, entre elas, é preciso mencionar a população carcerária, suas características no que diz respeito a tipologia de crimes cometidos, etnicidade, faixa etária, nacionalidade, perfil profissional, para citar algumas que este livro procura analisar.
A história do sistema penitenciário revela também as interfaces entre as ciências que se debruçaram sobre o crime e o criminoso, nomeadamente a Medicina, o Direito e a Antropologia, ambas, vale dizer, influenciadas, em menor ou maior grau, pelo discurso eugênico.
Na interseção entre o crime e a loucura, ou ainda entre o criminoso e o louco, assistimos durante o final do século XIX e início do século XX o debate entre o Direito e a Medicina legal, nomeadamente entre o Direito e a Psiquiatria. Este debate rico na explicitação das estratégias mais recônditas das duas grandes áreas do saber dos séculos XIX e XX nos revela uma série de enunciados acerca da constituição do campo de intervenção sobre a loucura e sobre o criminoso, mas, além disso, dos enunciados que constituem os dois campos discursivos que incidem sobre os chamados anormais, sobre suas possibilidades estigmatizantes e sobre o esquadrinhamento de suas existências em instituições totais amplamente reguladas e racionalizadas. É com o surgimento do Hospício e da Prisão que o louco e o criminoso adquirem etiologias próprias. É com o surgimento destas instituições que a Medicina legitima seu espaço jurídico e institucional e, sobretudo, adentra o espaço do tribunal. A medicina não circunscreve sua área de intervenção somente no tribunal, vale notar, mas se torna a grande engenharia social do século XX.













(EDUNISC, 2003) História, Medicina e Sociedade no Brasil, reúne cinco textos acerca das implicações do desenvolvimento dos saberes da medicina científica na sociedade brasileira. Foi esta a motivação que levou a organização deste livro. Reunir pesquisadores que estão pensando a ciência, seu campo de atuação, sua constituição sociológica e histórica e suas implicações políticas. O foco aqui será a Medicina e seus efeitos políticos, seja na constituição de valores morais, comportamentais ou mesmo simbólicos. É à história da medicina do Brasil que os autores deste livro se dedicaram, nomeadamente as relações entre o saber médico e o bio-determinismo, o saber médico e a produção da anormalidade, o saber médico e suas implicações jurídicas. E ainda, as implicações do bio-determinismo nas questões da eugenia, da arte, da literatura, das políticas públicas e da própria definição do campo profissional da medicina.





(JURUÁ, 2003) O Império dos bacharéis: O pensamento jurídico e a organização do Estado-nação no Brasil, problematiza a formação da cultura jurídica moderna brasileira a partir da análise da Reforma dos Estatutos da Universidade de Coimbra (1772), quando, depois de mais de duzentos anos de pedagogismo escolástico, o pensamento moderno oriundo da revolução galileana e newtoniana foi institucionalizado. O autor enfrenta, nesse sentido, as diversas correntes do pensamento jurídico que acirraram os debates acerca das teses jusnaturalistas e jusracionalistas no contexto da Reforma. A recepção do pensamento moderno em Portugal, nomeadamente no campo jurídico, foi marcante na formação da geração de intelectuais-estadistas que participaram do processo de estruturação do Estado-nação brasileiro. O autor analisa esta herança coimbrã na criação dos Cursos Jurídicos de Olinda e São Paulo e no Código Criminal de 1830, destacando a importância destas instituições na estratégia política centralizadora do Império. O pano de fundo que perpassa a obra situa-se na (re)discussão do corolário das "idéias fora do lugar" e do paradoxo entre tradição e modernidade. A partir de conceitos como hibridismo e equilíbrio de antagonismos o livro articula o pensamento jurídico moderno com a dinâmica da cultura política brasileira, recolocando as idéias em seus lugares.














(AUTÊNTICA, 2001) A sensibilização da educação, leia-se sociedade, frente às mudanças constantes experimentadas em nosso tempo revela uma incapacidade de pensar a complexidade dessas transformações dentro do paradigma totalizante da modernidade, calcado na ciência da certeza. Há, portanto, uma percepção de que a velocidade das mudanças sociais não pode ser acompanhada pelas instituições de saber como estão/estavam estruturadas.
Novas tecnologias e Educação na Era da Informação, é, na realidade, uma tentativa de diálogo, do estabelecimento de um sinal comunicativo entre as diversas problematizações que nosso tempo infere na percepção do homem e da técnica. É, nesse sentido, a pretensão de enfrentar o problema da complexidade, onde figura, sem dúvida, a educação como um dos pontos mais sensíveis dessas transformações.
Frente a essa Era da instabilidade e do possível, coloca-se o problema da educação. Como a velocidade das mudanças pode ser acompanhada pela “antiga instituição normativa do saber”? Quais as ferramentas disponíveis para o educador? Como utilizá-las? Qual o “método”? O saber normativo é possível com o saber virtual? Qual o “papel” da educação na sociedade da informação descentralizada?



(EDIPUCRS, 1999) A questão do tempo é problematizada em diversas áreas do conhecimento, notadamente na física, na biologia, assim como nas chamadas ciências humanas. A questão fundamental que ora se apresenta é não mais centralizar a reflexão sobre o tempo em áreas de conhecimentos restritas, fechadas em disciplinas únicas. A problemática do tempo, tal a sua complexidade e necessidade de alargamento, levou o debate a uma transdisciplinareidade, muitas vezes fluida e insegura, mas produtiva, talvez o meio mais fértil para uma reflexão atualizada.
Frente às transformações vivenciadas pelas sociedades modernas desse fim de século, uma nova percepção temporal passou a fazer parte de nossa mentalidade, uma percepção que desliza das rotas teóricas acadêmicas e passa a ser vivida empiricamente. Exemplos claros dessa nova percepção são apresentados pelos médias, pela comunicação a distância em “tempo real”, pela revolução da informática com as “redes de informação e convívio”, assim como nos transportes e outros.
Frente a esta nova mentalidade do tempo uma questão sobressai: a velocidade.
Entre os autores contemporâneos que abordam a questão da velocidade, destaca-se Paul Virílio, teórico da Dromologia (do grego dromos = velocidade) para quem a velocidade é vista como a “alavanca do mundo moderno”. Passamos do tempo extensivo da história ao tempo intensivo de uma instantaneidade sem história. Para esse autor, “se o tempo é história, a velocidade é apenas sua alucinação, uma alucinação perspectiva que destrói toda a extensão da cronologia”. Nesse sentido, os acontecimentos desvanecem-se, perdem-se, o que impõe à história novas problemáticas no que se refere ao tempo. Os acontecimentos não são apreendidos uma vez que as imagens não se fixam, escapam pela fluidez da velocidade.
Na visão da história dos “tempos passados” aos “tempos presentes” há uma total “ignorância” da inexistência do próprio presente, nesse sentido colocamos essa reflexão em uma atemporalidade. A discussão do tempo histórico é realizada pelos autores dessa coletânea através de diferentes objetos os quais revelam a complexidade da temática.














(EDIPUCRS, 1997) Nesta obra, o autor analisa o processo histórico da reforma penitenciária brasileira no século XIX. Para isto, o autor estuda: o desenvolvimento das noções de pena e prisão no ocidente desde a antigüidade, a reforma das prisões americanas e francesas, a formação da cultura jurídica moderna brasileira — destacando a influência do pensamento jurídico português, a questão da raça na formação do pensamento penal brasileiro, a influência da cidade na institucionalização do saber da medicina social e do direito na reforma penitenciária e por fim faz um estudo de caso do projeto de construção da casa de correção de Porto Alegre de 1855.

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