Crack: Uma matéria inusitada que vale a pena reproduzir aqui.

Gazeta do Sul, 18/11/2009


Tráfico anuncia fim da venda de crack
BAIRRO BOM JESUS > PROMESSA SURGIU DURANTE REUNIÃO COM MORADORES DA COMUNIDADE

A venda de crack dentro dos limites do Bairro Bom Jesus, em Santa Cruz do Sul, tem prazo para terminar. O anúncio não partiu de autoridades formais, mas dos próprios responsáveis pela venda da droga, durante uma reunião com moradores. No encontro, indivíduos conhecidos pela comunidade local como vinculados ao tráfico se comprometeram a encerrar o comércio de crack a partir de 10 de dezembro, restringindo-se à venda de maconha e cocaína.
A reunião ocorreu na tarde da última sexta-feira e os detalhes do encontro começaram a chegar à imprensa nesta semana, por meio de telefonemas anônimos. Segundo tais relatos, traficantes teriam demonstrado preocupação diante do desgaste da própria imagem, tendo em vista os problemas causados pelo crack no bairro, como os danos à saúde dos usuários e a incidência de furtos. Pela determinação, o consumo do tóxico em público também se tornaria passível de retaliações.
Um homem que admite realizar a entrega de drogas, localizado pela reportagem via telefone, com auxílio de moradores, revelou que a onda de furtos e roubos decorrente do consumo desta droga também era prejudicial “aos negócios”. “Começaram a surgir muitas denúncias e prisões, por causa do crack”, disse. Outro confirmou que o comércio das “pedras” estaria com os dias contados. “Vou parar de vender. Quem quiser continuar vendendo outra coisa (maconha ou cocaína) pode. Mas, crack, não.”
Procurado para comentar o assunto, o presidente da Associação de Moradores do Bairro Bom Jesus, Clairton Ferreira, o Tim, confirmou ter participado do encontro, realizado junto à sede situada ao lado do campo de futebol. Sem citar nomes, Tim relata que o convite partiu de pessoas supostamente vinculadas ao tráfico. “A associação vinha realizando um trabalho de conscientização sobre os males do crack, junto às escolas. Talvez por isso, fomos convidados a participar”, comenta.
Segundo Tim, o convite circulou pelo bairro e cerca de cem moradores participaram do encontro. Primeiro, mães de dependentes relataram o sofrimento que enfrentam e, depois, o próprio presidente do bairro falou das mazelas causadas pelo entorpecente. “Citamos o quanto o crack vem destruindo famílias. Temos crianças de nove anos usando esta droga, que talvez não cheguem aos 15 anos”, afirmou ontem.
Por fim, os traficantes anunciaram o fim da venda do entorpecente, possivelmente já planejado com antecedência. O prazo até 10 de dezembro teria sido estipulado com base no que ainda existe de crack estocado. O ingresso desta droga para dentro do Bom Jesus já teria sido interrompido.

4 comentários:

Gustavo Oliveira Vieira disse...

Incrível! Só falta uma carta das autoridades agradecendo a decisão. Tomara que tenha uma organização intercomunitária para espalhar a boa decisão.

Com toda a "potência" do Estado, quem decide ao final?

O próximo passo é uma condecoração na Câmara de Vereadores aos benfeitores, hehehehe,
Valeu compartilhares a decisão.
E atenção Mozart, haverá audiência pública sobre a questão das quotas no STF, por força da ADPF 186, verifique no site.
Abraço

Gustavo Vieira disse...

Incrível!
Só falta uma condecoração dos benfeitores na Câmara de Vereadores!
Tomara que exista uma organização intercomunitária para espalhar a decisão por todos os bairros.
É uma demonstração sem igual a potência do Estado ou do Estado da (in)segurança pública.
Obrigado por compartilhar,
abraço

Gustavo Oliveira Vieira disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
marcelo disse...

É a vitória da consciência contra a intolerância! Muito bom. Uma aula de como se fazer política.