Setembro, de novo!!!


Publicado dia 10-09-2011 no Jornal Gazeta do Sul.

Todo ano, de acordo com a lei 662/49, deverá ser comemorado o dia da independência do Brasil. Para isso se reverencia alguns heróis nacionais responsáveis pelo grande feito. Setembro é assim, somos convocados a marchar pela pátria, cantar hinos e tal e, para piorar, ainda precisamos nos preparar para o 20 de setembro, mais um acontecimento do anedotário regional. Nessa coluna, nos dedicaremos a falar de D. Pedro I, o imperador fanfarrão, filho de D. João VI, elevado a líder e herói da pátria. Durante os 9 anos de reinado, D. Pedro I conseguiu promover uma sucessão de desastres políticos que valem a pena ser lembrados. Eis as razão para o surgimento do herói!

Primeiro Ato: A independência começa com um gesto paternal, familial, de pai pra filho. D. João antes de voltar para Portugal em 1821 diz a Pedro, “Pedro se o Brasil se separar antes seja para tí, que Me Hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”. Ato fundador, pois no Brasil ainda hoje os laços familiares e as relações com os amigos dizem muito de nossas formas de gestão.

Segundo Ato: D. Pedro se torna imperador do Brasil e como primeira grande medida fecha a Assembleia Constituinte em 1823, prende os deputados e no ano seguinte outorga uma constituição autoritária. Não pegou bem.

Terceiro ato: Nesse mesmo ano de 1824 eclode a Confederação do Equador, liderada pelo popular Frei Caneca. D. Pedro ordena a execução do Frei (Pelo Garrote). O Imperador conseguia colecionar inimigos por todo o país.

Quarto Ato: Entre 1825 e 1828 D. Pedro enfrenta a chamada Questão Cisplatina, ou seja, o Uruguai, Província brasileira na época, reivindica a sua independência, entra em guerra com o Brasil e vence. O Imperador perde uma parte do território e ainda cria uma dívida de guerra.

Quinto Ato: Com a morte de D. João VI, em 1826, D. Pedro, que era primogênito, deveria assumir o trono português. Como os brasileiros não aceitaram essa hipótese, o Imperador nomeou sua filha Maria da Glória, com 5 anos, imperatriz portuguesa sob a regência de D. Miguel, seu irmão. D. Miguel através de um golpe assumi o trono e D. Pedro acaba financiando uma guerra contra o próprio irmão, mas com dinheiro brasileiro.

Sexto Ato: Em viagem a Ouro preto, Capital de Minas, D. Pedro fora recebido com os sinos das igrejas dobrando a finados pela morte de Líbero Badaró, jornalista assassinado em São Paulo, pelo que tudo indica a mando do Imperador. No mesmo ano (1831), quando Pedro retornou ao Rio de Janeiro houve a celebre Noite das Garrafadas. Inimigos por toda a parte e isolamento político.

Sétimo Ato: No dia 5 de abril de 1831, demite um ministério composto por brasileiros e anuncia a formação de um novo ministério, com portugueses e absolutistas. Resultado, revolta popular e militar. Praças ocupadas e melancólica renúncia ao trono brasileiro. Agora é esperar pelo dia 20!!!





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