Corrupção a la Carte

Publicado no jornal Gazeta do Sul dia 10-12-11


Seis ministros em sete caíram por “suspeita” de corrupção no primeiro ano de Dilma Rousseff. Quando assistiremos um ministro cair por incompetência? Posso imaginar que os ministros que ainda administram suas pastas são meritórios e por isso permanecem nos cargos. Ou posso supor que os ministros ficarão em seus respectivos ministérios até que se descubra alguma falcatrua, o que me parece mais razoável. Interessante como isso não nos abala muito, não é motivo de indignação de fato, pelo menos ao ponto de nos tirar o sono ou a passividade. Parece que estamos ainda impregnados do velho mito de que o Brasil é um país que “anda”, em que pese seus políticos ou mesmo seus governos. Referencia, evidentemente, as potencialidades do país que, mesmo com a tara destrutiva que o acompanha, continua sendo “a terra em que se plantando tudo dá”. Mitos a parte, sabemos que essa visão, oriunda da época de Cabral, representa nossa passividade frente aos descalabros políticos e nossa ingenuidade frente às potencialidades da nação. Esta não é uma terra em que se plantando tudo dá; essa é uma terra em que se planta e colhe miséria há séculos, uma terra da falta e da carestia. O resto é mito, hipérboles reconfortantes para nossas culpas jamais admitidas. Esse é um país que insiste em não tratar a corrupção como crime - e crime hediondo, pois é homicida, infanticida e fratricida. Corruptos são bandidos que, pasmem, circulam glamourosamente pelas colunas sociais do país. São bandidos que assaltam a merenda escolar, verbas da saúde, da educação, etc., e nem por isso merecem a nossa efetiva indignação, reservada para os pequenos ladrões, pulhas e assaltantes ordinários. Há uma miopia nacional em relação à corrupção. Jaqueline Roriz, uma criminosa pega em flagrante embolsando pilhas de dinheiro, foi absolvida por seus 265 comparsas do Congresso sem o menor constrangimento. Hoje anda cercada de seguranças pagos com o erário público. O ex-ministro fanfarrão Carlos Lupi, depois de tanto palavrório vulgar, sai do governo sem nem mesmo macular o espaço político de seu partido. Uma premiação de lambuja. Orlando Silva, do PC do B, tentou constranger a Presidente com ameaças veladas, quando da eminência de cair. Uma piada!. O uso de cargos políticos para pacificar as possíveis oposições é abjeto. Temos Maluf, Collor, Sarney, Renan Calheiros, Wagner Rossi, Palocci, entre tantos outros criminosos na ativa, contrariando o ingênuo ditado popular de que “o crime não compensa”.
A corrupção é uma praga que corrói as estruturas sociais, destrói os padrões de conduta e espalha a injustiça, a miséria e a degradação dos valores. Das mais baixas funções públicas ao topo das hierarquias funcionais, a corrupção vai ocupando seus espaços. Da bendita e “ingênua” cola escolar, do malandro plágio acadêmico, dos pequenos desvios de verbas públicas, assim vamos crescendo e cultivando a nossa indecência civilizatória.



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