A Veja, a Corrupção e a liberdade de imprensa!

Publicado na Gazeta do Sul dia 10-05-12



A Veja, maior semanário do país, autoqualificada de protetora da democracia, autoeleita censora-mor dos governos Lula e Dilma, autointitulada guardiã da liberdade de imprensa, esteve envolvida nos últimos dias num suposto esquema de promiscuidade com o mundo do “crime” que merece atenção. As gravações obtidas pela operação Monte Carlo, da PF, divulgadas pela Record no domingo do dia 06/05/2012 e repercutidas em diversos sites na internet, mostraram que Carlinhos Cachoeira, o bicheiro que derrubou o Senador Demóstenes, mantinha não apenas uma relação de informante com o jornalista Policarpo Júnior, diretor de jornalismo da Veja em Brasília, mas de ingerência e manipulação de informações. Uma relação muito além do razoável entre um jornalista e seus informantes. Nas gravações fica claro que Carlinhos Cachoeira não só opinava sobre o editorial da revista, mas sugeria pautas e apontava o que deveria ou não ser publicado e em qual secção, o que demonstra que Policarpo Júnior tinha um informante com poderes que extrapolavam as já complexas relações entre jornalistas e informantes.
Na edição de 16/05, a Veja tentou responder às acusações recorrendo a um método já muito conhecido, qual seja, denegrir e desacreditar os acusadores. E aqui temos um campo fértil em se tratando da história da corrupção e das CPIs no país. Os acusadores geralmente não duram uma temporada sem que caiam acusados de alguma falcatrua, e, com isso, se amortece a gravidade das denuncias. Um dos mais raivosos acusadores da Veja é o patético ex-presidente Fernando Collor, levado ao impeachment, em 1992, com a contribuição da própria Veja. Collor participa, com outros 17 fichas-sujas, de um suposto esquema, orquestrado por setores do PT, que visa aquecer uma CPMI (a do Cachoeira) para desviar as atenções do julgamento dos mensaleiros pelo STF. Isso tudo é “verdade”, mas o que diz sobre as relações nebulosas entre a Veja e Carlinhos Cachoeira? Nada. No caso da resposta da Veja, nada é esclarecido de fato, nada é explicado, o que se tem na revista é um conjunto de informações embaralhadas que só faz confundir. Diz-se muito sobre coisa alguma, acusa-se todo mundo de conspiração contra a liberdade de imprensa e tenta se passar para o lado das vítimas. O alvo, ou melhor, a obsessão da revista, é o governo federal, enxovalhado semanalmente por representar um conjunto de ideias consideradas de “esquerda”. E funciona, pois sabemos que tipos corruptos como Collor de Mello pousando de denunciador de corrupção é no mínimo engraçado. E funciona, pois sabemos que no governo Lula e, ainda, no de Dilma, temos setores autoritários que estão sempre prontos a lançar uma campanha contra a liberdade de imprensa, sempre em nome do bem, da justiça social e da verdade, evidentemente. A Veja adora essa turma, eles justificam a paranoia antiliberal que, vale dizer, acabou por legitimar seu antijornalismo. É constrangedor.

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