Guerra das Malvinas: 30 anos

Publicado na Gazeta do Sul, dia 16 de junho de 2012



As guerras geralmente escondem pretextos e motivações obscuras, não raramente jogam milhares de pessoas - jovens, em sua maioria - num inferno sem sentido algum. No caso da Guerra das Malvinas, ou Falklands War, como é chamada na Inglaterra, os motivos que levaram ao conflito foram dos mais perversos. Na realidade, em que pese as contendas entre Argentina e Inglaterra sobre a soberania das Ilhas, Malvinas foi uma manobra política que visava salvar uma das mais cruentas e revoltantes ditaduras militarres latino-americana. O governo do ditador Galtieri, em 1982, enfrentava uma crise econômica e social aguda, o que motivava constantes manifestações populares contra o regime. Malvinas foi a manobra suicida de um governo que, para se manter no poder, não hesitou em mobilizar o sentimento patriótico e nacionalista dos argentinos e se lançar numa guerra contra uma das maiores potências marítimas do planeta.

A guerra, na perspectiva diplomática, não fazia sentido algum. As questões que envolviam o arquipélago das Malvinas eram muito antigas e não suscitavam maiores empenhos e comprometimentos dos governos argentino e britânico, acreditando-se, inclusive, que frente às boas relações entre os dois países, a Inglaterra cederia as Falklands à Argentina. Galtieri, na sua truculência intelectual e falta de senso estratégico, apostava que a Inglaterra não se mobilizaria numa guerra nos mares do Sul e, assim, no dia 02 de abril de 1982, fez desembargar as primeiras frotas nas Ilhas. A resposta do governo inglês foi inesperada e rápida. No dia 22 do mesmo mês as tropas britânicas, formadas por soldados profissionais e mercenários, adentravam no arquipélago. Como chama atenção Wagner Ribeiro, estudioso do tema, “o erro crasso de Galtieri foi desconsiderar que o mesmo motivo que o levou a dar início à guerra também serviria aos propósitos da Inglaterra de Margaret Hilda Thatcher”. Na ocasião, a chamada Dama de Ferro carecia de apoio popular entre os ingleses e, com a mobilização e vitória no conflito, acabou por ser reeleita em 1983 e permanecendo no poder até 1990, enquanto a ditadura de Galtieri despencava, levando consigo a Argentina.

No dia 13 de junho a Argentina estava derrotada e no dia seguinte o General Mario Menéndez assinara a humilhante rendição. Como resultado do conflito, 649 soldados argentinos, 255 britânicos e três civis das ilhas foram mortos. Hoje os ex-combatentes ainda convivem com a humilhação da derrota, com o desproposito da guerra e com o abandono, ainda por parte do governo de Cristina Kirchner. Estima-se que mais de 700 ex-combatentes tenham se suicidado, um número maior dos que tombados em combate. Tem-se, a partir desse dado, a dimensão da trajédia da Guerra das Malvinas. Recentemente, com a descoberta de petróleo nas Ilhas, Kirchner resolveu retomar a “questão” Malvinas, e não deixa de utilizá-la para mobilização do nacionalismo, com evidentes frutos plebicitários.  

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