Só Piora!




Duas revistas, a Veja e a Carta Capital, estão em “guerra”, e quando dois veículos de comunicação entram em “guerra” a primeira vítima é a verdade. O motivo da contenda são os sistemáticos ataques de Carta Capital a Veja em função dos escândalos que envolvem o jornalista Policarpo Júnior e o criminoso Carlinhos Cachoeira. O que é interessante nesse embate não é nem saber quem tem ou não razão, mas a forma como os discursos são articulados e as estratégias políticas utilizadas. Capitaneando as duas revistas, estão os editores Mino Carta, da Carta Capital e Roberto Civita, da Veja. Mino Carta, que já foi editor da Veja, tem escrito editoriais empolados e agressivos contra seu colega, acusando-o de tudo que é tipo de vigarices jornalísticas, sobretudo no que diz respeito às relações de Carlinhos Cachoeira com a revista, bem como de conluio, apoiado pela Globo, para atacar sistematicamente o governo do PT. Apoiada nas denúncias contra Policarpo Júnior, Carta Capital, revista “chapa-branca” do governo, procura, então, desmoralizar a Veja que, vale notar, se autointitula defensora implacável da liberdade de imprensa e da democracia. A Veja tem assumido uma postura abertamente direitista, o que não é nenhum problema, contudo, para afirmar sua postura, adotou uma estratégia absolutamente condenável: aposta na ignorância de seus leitores.

A Veja tem alvos que são sistematicamente atacados, vilipendiados e humilhados: professores, intelectuais, acadêmicos e todo e qualquer tipo que possa ser associado, segundo os critérios da Veja, bem entendido, ao pensamento de “esquerda”. Qualquer postura crítica é prontamente estereotipada e condenada. Na última edição, num arroubo “macartista”, chamou o pensador italiano Antonio Gramsci, autor de Cadernos do Cárcere, de terrorista. Bobagens como essa pululam semanalmente na Revista.

Aos ataques da Carta Capital e às acusações que envolvem Carlinhos Cachoeira, a Veja continua calada, se preocupa mais em tentar desmoralizar quem a acusa, mas, na última edição, lançou mão das tintas de um intelectual, costumeiramente presente na Revista, para defendê-la. Lamentável o papel do geógrafo Demétrio Magnoli. Ele consegue a proeza de sair em defesa do indefensável. Essa é a atitude típica de intelectuais orgânicos, para usar a expressão do “terrorista” Antônio Gramsci, que agem em nome de uma instituição ou organização. Magnoli foi chamado para o serviço sujo da Veja e, em seu longo texto, o que ele fez foi repisar a velha tática de atacar quem acusa a revista, no caso, o editor de Carta Capital, Mino Carta, que, vale notar, de “santinho” não tem nada.

Em tempo: Carlinhos Cachoeira, para lembrar, tem como advogado o ex-ministro da justiça Márcio Thomaz Bastos. O ex-ministro está recebendo, como honorários, a bagatela de R$ 15 milhões (em dinheiro sujo e sem origem) para defender o bicheiro, motivo pelo qual está sendo investigado por lavagem de dinheiro. Só piora.

2 comentários:

Carlos disse...

Professor, boa noite. Por acaso, descobri seu blog e confesso que gostei de suas considerações sobre esse embate entre Veja e Carta Capital.
Também li o artigo do professor Demétrio Magnoli, e, se me permite, fiquei com uma impressão um tanto diversa da sua quanto ao papel desse intelectual na demanda em questão. Se é verdade que Demétrio escreve para veículos identificados com posturas ideológicas à direita, contra os quais ele não volta sua pena afiada, também é razoável supor que tal fato não invalida necessariamente a pertinência de muitas de suas críticas às contradições do governo do PT, assim como sua lembrança sobre o silêncio de célebres intelectuais (Marilena Chauí, Paul Singer, Antonio Cândido e outros uspianos) em relação aos desvios do partido que ajudaram a fundar. Já o li e o ouvi em outros veículos da imprensa e em palestras em fóruns distintos, e, apesar de eu não ser um “direitista” (sempre votei no PT), reputo saudável a veemência crítica de Magnoli, pois, ao contrário de outros opositores ao PT, quase sempre é alicerçada na observação de fatos que até auxiliam uma autocrítica dos setores à esquerda. Ou seja, vejo validade na argumentação dele, ainda que seja parcial, assim como é válida a desmistificação de muitos aspectos do petismo propiciada pela crítica, essa de esquerda, formulada por um Chico de Oliveira, uma das exceções ao silêncio dos mestres da USP.

Anônimo disse...

Professor, boa noite. Por acaso, descobri seu blog e confesso que gostei de suas considerações sobre esse embate entre Veja e Carta Capital.
Também li o artigo do professor Demétrio Magnoli, e, se me permite, fiquei com uma impressão um tanto diversa da sua quanto ao papel desse intelectual na demanda em questão. Se é verdade que Demétrio escreve para veículos identificados com posturas ideológicas à direita, contra os quais ele não volta sua pena afiada, também é razoável supor que tal fato não invalida necessariamente a pertinência de muitas de suas críticas às contradições do governo do PT, assim como sua lembrança sobre o silêncio de célebres intelectuais (Marilena Chauí, Paul Singer, Antonio Cândido e outros uspianos) em relação aos desvios do partido que ajudaram a fundar. Já o li e o ouvi em outros veículos da imprensa e em palestras em fóruns distintos, e, apesar de eu não ser um “direitista” (sempre votei no PT), reputo saudável a veemência crítica de Magnoli, pois, ao contrário de outros opositores ao PT, quase sempre é alicerçada na observação de fatos que até auxiliam uma autocrítica dos setores à esquerda. Ou seja, vejo validade na argumentação dele, ainda que seja parcial, assim como é válida a desmistificação de muitos aspectos do petismo propiciada pela crítica, essa de esquerda, formulada por um Chico de Oliveira, uma das exceções ao silêncio dos mestres da USP.