A Política de Cotas no Brasil

Publicado na Gazeta do Sul em 11 de maio de 2013


O sistema de cotas já é visto com mais simpatia pela população brasileira. Uma pesquisa do IBOPE revelou, recentemente, que 62% da população brasileira são favoráveis à implementação de cotas para negros, pobres e alunos de escolas públicas nas universidades. Sem dúvida uma demonstração de sensibilidade para questões sociais que os críticos das cotas ainda não alcançaram. Uma série de críticas ao sistema de cotas aponta para os malefícios que o sistema poderia causar ao ensino superior. Dentre as principais consequências do sistema, destacam-se a perda de qualidade do ensino, em função do baixo nível dos alunos cotistas, o estímulo ao racismo no ambiente universitário e a evasão dos cotistas. Contudo, em outra pesquisa, realizada pela Universidade de Campinas (divulgada pela Istoé), os resultados apontam exatamente o contrário do que predizem os críticos das ações afirmativas, como é o caso das cotas. Os privilegiados, que na realidade se consideram meritórios, que estudam em boas escolas privadas, deveriam, pela “lógica” dos críticos às cotas, perderem suas vagas para alunos sem mérito, que estariam entrando nas universidades pela porta dos fundos. Esperava-se, nessas direções, que alunos não cotistas obtivessem resultados muito superiores aos cotistas na universidade. Imaginava-se, ainda por cima, que esses alunos seriam prejudicados com a queda de qualidade do ensino em função do despreparo dos colegas cotistas. Pois bem, a pesquisa de Campinas revelou exatamente o contrário. Após analisar o desempenho dos cotistas em 33 cursos, constatou-se que eles tiveram melhor desempenho que os não cotistas. Na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, um levantamento das notas dos alunos nos últimos cinco anos, demonstrou que os cotistas obtiveram, em média, 6,41 pontos, enquanto os não cotistas obtiveram em média 6,37 pontos. Sobre a evasão, o número de alunos que abandonaram os cursos que escolheram é similar entre cotistas e não cotistas.

A universidade brasileira, seja ela pública estatal, pública não estatal, como as comunitárias (é o caso da UNISC), ou privada, nas últimas décadas, vem assumindo novas responsabilidades sociais. No caso das públicas estatais, com essa nova postura inclusiva, deixou de ser o reservatório histórico de privilegiados amparados pelo discurso do mérito. Finalmente começou a assumir uma postura menos elitista. A nova postura da universidade vem contribuindo decisivamente para o desenvolvimento social do país. São apenas dez anos do sistema de cotas, pode ser cedo para avaliar seu impacto mais amplo, mas, pelo que se tem até o momento, podemos ficar otimistas.

 

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