Os números da leitura no Brasil

Publicado em 04 de maio de 2013 na Gazeta do Sul




Em que pese os grandes avanços econômicos nos últimos anos, o Brasil ainda não é um país rico e sim um país de ricos. Nossa distribuição de renda é lamentável: 66% dos brasileiros tem renda entre 1 e 5 salários mínimos e 17% renda de até 1 salário. As classes D e E ainda fazem 24% da população e a aclamada classe C representa 51%. A classe B, 23% e a classe A apenas 2%. Estes abismos sociais nos ajudam a entender, também, o nível de penetração da leitura no povo brasileiro. Nunca fomos um país de leitores, é certo, mas os dados apresentados pela pesquisa “Retrato da Leitura no Brasil”, realizada pelo Instituto Pró-livro, são preocupantes. A pesquisa, divulgada em 2012, apresenta dados levantados em 2007 e 2011, o que permite avaliar como tem “evoluído” o hábito da leitura entre os brasileiros. No geral, entre 2007 e 2011 as coisas pioraram. Estamos lendo menos e muito mal. Vamos a alguns números. A pesquisa considera leitor “aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos 1 livro nos últimos 3 meses” e não-leitor “aquele que não leu nenhum livro nos últimos 3 meses, mesmo que tenha lido nos últimos 12”. Em 2007 tínhamos 55% de leitores e, em 2011, o índice caiu para 50%. O brasileiro gosta mesmo é de assistir televisão. Ela aparece em primeiro lugar entre as atividades de lazer, com índice de 77% em 2007 e 85% em 2011. Em comparação, a leitura de jornais, revistas, livros e textos na internet aparecem com índice de 36%, em 2007 e 28%, em 2011. Entre os gêneros de leitura que decaíram entre 2007 e 2011 temos a literatura infantil, a juvenil, a poesia, a História, as Ciências Sociais, a Economia e a Política. Ganhou fôlego o gênero dos livros religiosos. Preocupante o desinteresse pela literatura infantil, fase da vida em que a leitura tem chance de se constituir com um hábito. O índice de crianças leitoras caiu de 31%, em 2007, para 22%, em 2011.

O número de livros lidos (inteiro ou parcialmente) também decaiu. Em 2007 se lia 2,4 livros em três meses e, no mesmo período, se lia, em 2011, 1,85 livros. Entre os estudantes, os chamados futuros da nação, os números são desanimadores. Em 3 meses eles leram, em 2011, apenas 3,41livros. O problema é que apenas 1,2 livros por iniciativa própria. 2,21 livros foram lidos porque a escola solicitou/obrigou. Falar nisso, segundo a pesquisa, os professores ainda são os principais agentes fomentadores da leitura. Impressionante, também, o dado de que 56% da população nunca comprou um livro na vida. Sobre o número de livros que o brasileiro tem em casa, entre os leitores, temos um quadro desolador: em 2007 possuíam 25 livros e, em 2011, 34. Em 2007, 23% dos entrevistados declararam não gostar de ler e, em 2011, esse índice subiu para 37%, lamentavelmente. Os gaúchos, sempre orgulhosos de suas façanhas, seguem a decadência. Desabamos de 53% de leitores em 2007 para 43% em 2011. Não podemos esperar um grande futuro.

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