Quanto Vale o X de Eike?

Publicado dia 12 de outubro na Gazeta do Sul



Eike Batista é (foi) um sucesso, um empresário fashion que levou o Brasil para o ranking dos bilionários do planeta. Símbolo do crescimento econômico da era Lula, o mega-empresário, proprietário da holding EBX, foi unanimidade nas capas de revistas dos homens bem sucedidos do país. As empresas de Eike Batista levam as iniciais de seu nome, acrescidas da letra X, que simboliza, no dizer do empresário, multiplicação e capacidade de gerar riquezas. A EBX atua nos setores de Petróleo (OGX), energia (MPX), mineração (MMX), logística (LLX), indústria naval (OSX), mineração de carvão, entre outros. Representante máximo do self-made-man nacional, era a boa matriz da meritocracia, prova cabal de que o Brasil podia entrar no jogo do neoliberalismo com competência e confiabilidade. É verdade, o sucesso de Eike era de tal monta que a confiabilidade internacional no país havia melhorado em função da ascensão do empresário.

Eike pousou de bom-moço, fez filantropia, ostentou carros, aviões e escreveu um livro intitulado “O X da questão”, onde narra suas receitas de sucesso. Tem um filho chamado Thor, playboy obcecado pelo corpo, que se orgulha de nunca ter lido um livro na vida e recentemente fora condenado por homicídio culposo por atropelar e matar o ciclista Wanderson Pereira dos Santos.

No mundo líquido do neoliberalismo nada está efetivamente seguro, nada tem previsibilidade confiável. Depois de uma série de equívocos da petrolífera OGX o império veio abaixo. Desta vez nem as receitas de autoajuda resolveram os problemas de Eike. Depois de figurar em oitavo lugar entre os mais ricos do mundo, segundo a Forbes Magazine, com uma fortuna avaliada em 34, 5 bilhões de dólares, viu durante o último ano seus ativos encolherem 99%, segundo a agência de notícias Bloomberg. Da mesma forma que no passado recente “melhorou” a imagem do Brasil no exterior, assiste agora, a desconfiança generalizada. O próprio Ministro da Fazendo Guido Mantega chamou a atenção que a situação da OLX já causou problema para a imagem da economia do Brasil. A expectativa de um calote vai se confirmando. Tudo indica que o Grupo X vai dar um calote de US$ 45 milhões, referente a juros devidos ao mercado internacional. Dentre as desculpas para crise, Eike cita até mesmo seu mapa astral, que apontava para dificuldades que está passando. Desculpas esdrúxulas a parte, o fato é que o Grupo X deixou de multiplicar e as perdas afetam o próprio país. Eike captou recursos junto ao BNDE e Caixa Federal, que agora acompanham apreensivas o desenrolar dos acontecimentos. Agora é esperar para ver. No capitalismo tupiniquim, historicamente os lucros são privatizados e as perdas socializadas. Não é sem sentido o fato de o Brasil ser um país de riquezas, mas não é um país rico. É um país de ricos.

 

 

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