Fascistas paranoicos

Publicado na Gazeta do Sul em 27/02/2016



Já escrevemos aqui sobre o fascista, tema do último livro de Márcia Tiburi, livro que por sinal todo fascista deveria ler. Mas dificilmente um fascista estaria disposto a fazê-lo, isso iria de encontro a sua “natureza” “hetero-hostil”, que inviabiliza qualquer experiência fora de suas fronteiras mentais.

Todo fascista tem uma mente estreita, incapaz de ultrapassar qualquer fronteira de seu mundinho. Portanto, qualquer informação, teoria, ideologia, pensamento, números ou dados que não estão de acordo com sua visão “monócula” de mundo são considerados um atentado à natureza, ou melhor, ao seu mundo, o único mundo que pode e deve existir. Isso porque todo fascista é mediocremente sem criatividade. Advoga sempre pelo mesmo, pela zona de conforto, pela ordem. Toda e qualquer imaginação que ouse pensar um mundo diferente é para o fascista o sinal de que o “mal” anda rondando. É difícil dialogar com fascistas.

Todo fascista tem uma fixação obsessiva com Cuba, Coreia do Norte, Venezuela ou qualquer país que lembre comunismo, socialismo ou coisa que o valha. Se um cidadão qualquer apontar para uma crítica à sociedade que o fascista acredita que seja a única válida e naturalmente dada, pronto, será acusado de comunista e provavelmente será mandado para Cuba. O fascista é um macarthista anacrônico, daqueles que acreditam que os comunistas ainda andam por aí em busca de criancinhas para a próxima janta. Não parece cômico, é cômico. Mas com toda a tragédia que tal comicidade comporta. Quer deixar um fascista desconcertado? É bem simples, mostre a ele que os clichês que nutrem sua visão de mundo não funcionam, que as coisas são mais complexas do que os estreitos meandros do pensamento fascista. Por exemplo, se você leitor, que é chamado de comunista por posicionar uma critica à sociedade em que vivemos, ao mundo neoliberal, à hipócrita meritocracia, etc, dizer com todas as letras ao fascista que você não nutre a menor simpatia por nem por Cuba, nem pela Coreia do Norte ou regime comunista qualquer, você o deixará desnorteado. Isso porque você acabou de mostrar ao fascista o quanto ele é tolo. Que todo o ódio, toda a ira que ele, o fascista, destila, é o efeito de uma personalidade que não consegue lidar com a diferença, com confrontações. O quanto seu modo de ver as coisas é pequeno. O maniqueísmo que nutre os juízos de um fascista é implacável. Lembre-se leitor, o fascista é um soldado, um cão mordedor que defende sua trincheira com unhas e dentes. É um agressivo, não raro violento, sempre conservador, geralmente um racista, quase sempre um homofóbico, profundamente ignorante e paranoico. O fascista é um falso-liberal, sempre pronto a defender ditaduras, caso isso proteja seu mundinho. É preciso estar atento às manipulações e às mentiras contumazes que o pensamento fascista produz. Ele é o advogado do ódio e da hostilidade, dos quais é, também, um alvo vulnerável.